A Criança e o Karaté: a importância do código ludencial no processo de ensino- aprendizagem

A Criança e o Karaté: a importância do código ludencial no processo de ensino- aprendizagem

Autora: Mariana Teófilo (Professora de Karaté

A introdução de qualquer modalidade desportiva, sobretudo, nas crianças, deve ser apresentada de uma forma mais flexível, agradável e divertida. E no Karaté não é exceção.

O processo de ensino-aprendizagem tradicional torna-se muitas vezes um fator de desmotivação e uma barreira para a continuidade dos alunos na modalidade, uma vez que há uma maior dificuldade de assimilação das técnicas de karaté por falta de maturidade (aptidão física, psíquica e emocional), coordenação e atenção. Sob este prisma, o Karaté infantil deve, por isso, ser encarado como uma atividade lúdica, isto é, uma atividade cujo fim se oriente para o prazer (CABRAL, 1990, p. 194), trabalhando estas componentes e mantendo presentes os valores, as regras e a filosofia do Karaté. Além disso, deve acompanhar as motivações de cada criança, adaptando-se à sua fase de desenvolvimento e faixa etária.

A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Segundo Santa Marli Pires dos Santos, podemos considerar o brincar, a brincadeira, o jogo e a diversão como algo sério, muito além do que é considerado no “senso comum”, uma atividade com pouca importância.

O desenvolvimento da criança está veiculado com a sua relação com o ambiente e quanto maior for a possibilidade de se relacionar com o meio através de atividades lúdicas, maior será a sua envolvência e o seu desenvolvimento.

Como diz Chateau “Uma criança que não sabe jogar […] será um adulto que não sabe pensar”. O jogo é uma atividade vital para o desenvolvimento pessoal, social e cultural do ser humano e constitui um verdadeiro espelho social com tradições e regras, colaborando para o aumento da criatividade e facilitando nos processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.

Os Jogos Lúdico-Desportivos de Karaté compreendem os modelos de Ludo-Kata (jogos de padronização), Ludo- Kumite (jogos de concretização) e Ludo- Kihon (jogos de micro-percursos).

Todos estes modelos baseiam-se em esquemas e circuitos com algumas capacidades de deslocamentos (correr, saltar, rolar, rastejar) em vários planos e direções, entre referenciais de mudança de direção e obstáculos diversos.

No Ludo-Kata é através dos deslocamentos/ técnicas padronizadas que se trabalha a orientação espacial, o esquema corporal, a postura, a coordenação, a flexibilidade, o equilíbrio, a velocidade segmentar, a força estática e a resistência.

O modelo de Ludo-Kihon pressupõe o trabalho da agilidade, velocidade, força e resistência, não tendo estações de capacidades específicas de precisão ou padronização.

No Ludo-Kumite é essencialmente nas estações de capacidades de precisão de lançamentos e principalmente toques em alvos com as mãos e os pés (entre outros segmentos) que reside a sua especificidade solicitadora da coordenação óculo-pedal e óculo manual, equilíbrio, agilidade, velocidade e resistência.

Além destes modelos, é frequente recorre-se a jogos pedagógicos que trabalhem a relação entre pares, estimulando a interação, a partilha, o diálogo, as regras e, acima de tudo, o saber aceitar a vitória ou a derrota.

Em suma, o Karaté traz inúmeros benefícios ao nível da saúde mental e física pelos motivos supracitados, ajudando também, em qualquer idade, no processo de reabilitação, uma vez que existe uma panóplia de exercícios que se adaptam à idade e condição física de cada indivíduo.

Referências:

https://www.fnkp.pt/jogos‐ludico‐desportivos/

https://repositorio.ipv.pt/bitstream/10400.19/480/1/Karate%20Infantil%201994%20Edicao%2 0FNK‐P%202003.pdf

 

Mariana Teófilo

Professora de Karaté