As competências sociais na Perturbação do Espectro do Autismo

As competências sociais na Perturbação do Espectro do Autismo

Autora: Sofia Sousa (Psicóloga)

A Perturbação do Espectro do Autismo é uma perturbação do neurodesenvolvimento que se manifesta precocemente e que, se caracteriza por dificuldades nas interações sociais recíprocas, atividades e interesses restritos e repetitivos, dificuldades na comunicação e no jogo imaginativo.

Nas crianças com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), as capacidades para desenvolver interações sociais recíprocas são limitadas, caracterizando-se pela existência de um ou mais padrões de interesses comportamentais por vezes invulgares, pela ausência de iniciações sociais com os pares e falta de sensibilidade às iniciativas dos outros. Muitas vezes evitam o contacto social e isolam-se. Estas características dificultam o convívio e o relacionamento com os outros.

 

Como é implementada a intervenção psicológica com crianças com PEA?

A intervenção em Psicologia, foca-se na aprendizagem de competências que permitam reduzir os défices e a sintomatologia psicológica associada, como o medo, a tristeza, a irritabilidade, o desamparo aprendido, entre outras. Para esse efeito é realizada psicoeducação, treinos de competências sociais e cognitivas, regulação emocional e comportamental e estimulação da autonomia pessoal e social.

 

Especificamente, o psicólogo intervém ao nível da identificação e gestão de emoções, empatia, interpretação de situações sociais, ajuste de comportamentos aos contextos, linguagem não verbal, estilos de comunicação, diversificação de interesses, entre outros.

De salientar que a intervenção com crianças é realizada principalmente com recurso ao brincar, jogo, atividades práticas e role play.

 

Qual é a importância da intervenção psicológica, nos diversos contextos da criança com PEA?

A complexidade do quadro de sintomas que constitui a PEA, enfatiza a necessidade da participação de uma equipa multidisciplinar de profissionais. Entre os existentes, destaca-se a atuação do psicólogo, sendo capaz de detetar as áreas comprometidas. Assim, a Psicologia atua desde a sua identificação, passando pelo diagnóstico até ao tratamento da PEA, visto ser uma área que domina os conhecimentos necessários sobre os processos mentais e o comportamento humano.

A intervenção psicológica alarga-se muitas vezes a outros contextos de forma a promover a adaptação da criança, como por exemplo, na escola, na ocupação de tempos livres e na família. O Psicólogo tem um papel marcante ao nível do suporte às famílias, na compreensão do diagnóstico, nomeadamente das características e respetivas consequências no quotidiano nos diferentes contextos de vida da criança.

Com o supra exposto concluímos que a intervenção de um psicólogo na promoção de competências sociais, é de extrema importância para que a criança possa aprender a explorar o ambiente em que vive, a compreender as necessidades dos outros e os seus próprios objetivos. O desenvolvimento das competências sociais fará com que a criança tenha um maior equilíbrio tanto no aspeto social, como emocional. Assim como, aprender a partilhar, a fazer amizades, a compreender quando alguém está triste ou alegre, a expressar os seus pensamentos e emoções e a interagir com outras crianças e adultos.

No Centro Terapêutico Saluslive é realizado este trabalho em equipa multidisciplinar nas Perturbações de Espectro do Autismo, pelo que o papel do psicólogo, para além do referido, é também de interligar as várias intervenções de todos os profissionais.

 

Marcelino, I. (2014). Promover as interações sociais na Perturbação do Espectro do Autismo – Politécnico de Coimbra

Pesqueira, R. (2019). Desenvolvimento de Competências Sociais e Pessooais em Crianças com Perturbação do Espectro de Autismo – Escola Superior de Educação de Lisboa.

 

Sofia Sousa – Psicóloga