Como estimular a criança: Dicas

Como estimular a criança: Dicas

Autora: Ana Cristina Gomes (Psicomotricista)

É através do brincar que a criança se descobre e explora o mundo, criando bases sólidas para o seu desenvolvimento. Quanto mais variadas e ricas forem as suas experiências, mais oportunidades de aprendizagem terá a criança para crescer e desenvolver uma série de competências motoras, emocionais e sociais, através das quais aprende a pensar.

As crianças cultivam a sua aprendizagem e o seu pensamento através das suas repostas corporais aos estímulos do ambiente. Durante as brincadeiras, a criança desenvolve várias capacidades e aprende a conhecer-se melhor a partir delas. As brincadeiras devem envolver movimento e o uso de objetos diferentes, com vários tamanhos, texturas e cores, para que a criança possa experimentar uma amplitude de materiais, discriminar e armazenar diferentes estímulos e sensações, no sentido de formar aprendizagens cada vez mais complexas.

Seguem-se alguns exemplos de atividades que potenciam o desenvolvimento das crianças:

  1. Brincar na cozinha e ir orientando a criança sobre o que é preciso colocar na mesa para que consigam sentar e ter a sua refeição em família.
    – Desenvolvemos o jogo funcional, o planeamento da ação, o sentido de organização e a autonomia – competências significativas para o seu dia-a-dia.
  1. O Jogo do Rei Manda é excelente para trabalhar a capacidade de imitação. A imitação é uma das primeiras e principais formas de aprendizagem. É pela imitação que a criança começa por modelar ações, comportamentos, vocalizações e interações.
  2. Se a criança está a fazer um desenho com vários lápis, podemos perguntar que cores ela está a usar, quais gosta mais e menos, de que cor irá pintar a árvore, o pintainho, a nuvem, o teto da casa, quantos lápis estão em cima da mesa, quais os lápis mais curtos e os mais compridos, etc.
    – Abordamos conceitos de quantidade, cores, tamanho, representações, trabalhamos a motricidade fina e a coordenação óculo-manual, e tudo isto quando a própria criança escolheu ao que queria brincar.
  1. Devemos incentivar a criança a explorar os materiais. Ao desenharmos ou pintarmos, podemos sugerir que a criança o faça de uma forma divertida, por exemplo, com os próprios dedos molhados em tinta.
    – Nesta atividade tão divertida e enriquecedora, estimulamos a parte sensorial e damos oportunidade à criança de discriminar e armazenar diferentes estímulos e sensações no sentido de formar aprendizagens sensoriais cada vez mais complexas. Potenciamos também a criatividade, o jogo simbólico, a tonicidade, a motricidade fina e a grafomotricidade – capacidades tão importantes para o desenvolvimento e aprendizagem escolar.
  1. Ter ao dispor da criança caixas de areia, arroz, massinhas, feijões, etc., que embora sejam materiais simples, os mais pequenos adoram explorar. Podem realizar desenhos, letras, formas e diferentes traços, criar objetos, realizar contagens, separá-los por cores e tamanhos, construir caminhos/pistas para depois passarem com os seus carrinhos, entre inúmeras outras tarefas super divertidas que as crianças com toda a certeza descobrirão. O adulto poderá também realizar sequências e formas com os materiais para a criança reproduzir.
    – Desenvolve, entre inúmeras outras competências, a motricidade fina, a grafomotricidade, competências numéricas e sensoriais, estruturação espácio-temporal, categorização e sequenciação, criatividade, planeamento motor e jogo simbólico.
  1. Quando estamos a passear é importante brincarmos com os elementos que nos rodeiam. Podemos andar por cima das linhas/marcas do chão para potenciar o equilíbrio e estimular o andar em pé-coxinho direito e esquerdo, em bicos de pés, com os calcanhares no chão, de costas, com os pés juntos, etc.
    – Estimula a tonicidade, o equilíbrio, lateralidade, noção do corpo, estruturação espácio-temporal e motricidade global.
  1. Dar asas à imaginação e realizar criações através de objetos do nosso dia a dia. Um simples prato pode ser um volante de um carro ou até mesmo uma raquete; com um conjunto de paus podemos construir um avião; as almofadas do nosso sofá poderão se tornar nas pedras do rio que teremos de atravessar sem cair à “água”; a nossa meia rota poderá ser um fantoche; um cone na nossa cabeça poderá ser o nosso chapéu e um pau grande ou até a nossa vassoura uma bengala.
    – Estas atividades são importantes para ajudar a criança a passar de ações concretas para ações com outros significados, avançando em direção ao pensamento abstrato. E é pelo brincar, especialmente pelo jogo simbólico, que a criança pode reviver situações quotidianas. Isto possibilita a compreensão e a reorganização das suas estruturas mentais. Assim, o jogo simbólico é a representação corporal do imaginário. Apesar de predominar a fantasia, a atividade psicomotora exercida acaba por prender a criança à realidade.
  1. Num serão de sábado à noite porque não jogar ao jogo da mímica? Um jogo super engraçado para fazer com toda a família e com gargalhadas garantidas.
    – Promove a capacidade de representação motora, coordenação, interação, imaginação e criatividade. Apoia as crianças a expressarem sentimentos, a transmitir as emoções e pensamentos.   As técnicas ou jogos de interpretação corporal fazem com que até as crianças mais tímidas ou introvertidas expressem sensações que de outra maneira não manifestariam.
  1. Quando estiver por casa a tratar da roupa pode disponibilizar molas e pedir para que forme uma longa corrente/colar/pulseira/cinto. Deixe a criança explorar e criar.
    – Estimula a motricidade fina, a imaginação e criatividade, para além da funcionalidade na execução de tarefas diárias.

Brincar é fundamental, é através da brincadeira que a criança se desenvolve, aprende sobre si e sobre o mundo que a rodeia. É importante darmos liberdade às crianças para explorarem, para construírem novas aprendizagens e apoiá-las na superação de dificuldades ou desafios que vão surgindo ao longo do tempo.

Por isso brinquem, brinquem muito!

 

Ana Cristina Gomes Psicomotricista